foto tirada de: http://img.olhares.com/data/big/94/945749.jpgDiariamente ouvimos falar sobre cultura, mas será que realmente sabemos o que essa palavra significa? Segundo o dicionário Aurélio da língua portuguesa Cultura significa:
1. Ato, efeito ou modo de cultivar. 2. O complexo dos padrões de comportamento, das crenças, das instituições, das manifestações artísticas, intelectuais, etc., transmitidos coletivamente, e típicos de uma sociedade. 3. O conjunto dos conhecimentos adquiridos em determinado campo. [...].
Todos têm costumes e crenças diferenciadas, ou seja, cada um carrega a sua própria bagagem cultural, que é passada de geração em geração, é modificada, reconstruída e se torna uma nova visão cultural. Assim podemos dizer que a cultural está em constante mudança. Cada etnia possui uma cultura, infelizmente durante gerações isso não foi respeitado, a imposição cultural de um país em cima de outro foi, e ainda é, motivo de guerra. Só conseguiremos paz no planeta quando uma sociedade respeitar a outra, quando cada cultura tiver sua própria identidade dentro do contexto de sua história.
Podemos pensar que deixamos à época das colonizações no passado, mas olhe a sua volta, não colonizam mais paises agora colonizam a identidade de sua sociedade, colonizam sua cultura.
Machado de Assis em evidência
Esta no Museu da Língua Portuguesa em São Paulo a exposição temporária intitulada: Machado de Assis, Mas este Capitulo não é Sério. A exposição faz uma viagem pela vida de um dos mais importantes escritores brasileiros Joaquim Maria Machado de Assis, cronista, contista, dramaturgo, jornalista, poeta, novelista, romancista, crítico e ensaísta, nasceu na cidade do Rio de Janeiro em 21 de junho de 1839. Filho de um operário mestiço de negro e português, Francisco José de Assis, e de D. Maria Leopoldina Machado de Assis, perde a mãe muito cedo e é criado pela madrasta, Maria Inês, também mulata, que se dedica ao menino e o matricula na escola pública, única que freqüentará o autodidata Machado de Assis. A exposição conta com Manuscritos originais de livros como, Memorial de Ayres e Memórias Póstumas de Brás Cubas, Além do aparato multimídia, há exposição acontece realmente como uma cronologia da vida e obra do autor.
Vale a pena conferir, o museu fica aberto de terça a domingo das 10 às 17 horas, com entrada franca aos sábados.
A Metafísica do Relacionamento
Foi Lançado a pouco tempo o livro Amar... só se for armado, do escritor e professor Flavio Mello, o livro tem um enredo muito comum com o nosso dia a dia, por exemplo o relacionamento entre casais.
O livro desde seu lançamento vem recebendo inúmeros elogios, marcante pelo seu dialogo simples e ao mesmo tempo complexo vem para marcar como mais um livro do gênero “Crontos”, que seria um hibridismo de Crônicas e Contos. ¹Hildebrando Pafundi diz o seguinte em seu prefácio:
“Posso assegurar que o contista Flávio Mello reúne neste livro, Amar só se for armado, excelentes histórias produzidas numa prosa, que possui a beleza da melhor poesia já escrita em prosa. Embora todas as histórias deste volume sejam excelentes, eu destacaria outras três, mais por uma questão de preferência pessoal, além de O Pilão, citado no inicio deste prefácio: O telefonema, O cheiro de frutas de dona Clô e Amor à francesa. Finalizo desejando ao leitor, uma boa viagem nesta prazerosa leitura de contos cheios de sensualidade e sutil ironia.”
Especialmente entrevistaremos o escritor e professor Flávio Mello.
JOC - JORNAL ON-LINE COLESAN EM ENTREVISTA:
JOC – Fale um pouco sobre o seu Processo Criativo.
Flávio Mello: Bom, não tenho um processo propriamente dito... apenas escrevo, tento pelo menos, a questão de horário é relativo para mim.
JOC – Quais escritores mudaram sua forma de visão de escrita?
F.Mello: Tenho uma dezena de influências, mas as mais significativas foram, sem dúvida, Kafka, Saramago e Trevisan, depois que li suas obras mudei tudo o que pensava sobre literatura.
JOC – Seu ultimo lançamento foi Amar... só se for armado, o livro é carregado de situações sobre relacionamentos, com diálogos fantásticos, explique um pouco a estrutura desses diálogos.
F.Mello: Complicado falar dos diálogos..., tento deixar que sejam diálogos, acredito que os pontos, sinais gráficos de pontuação, impedem a fluidez, não gosto disso, gosto de vê-los carregados de dor, emoção ou amor do momento que nascem, tenho comigo que essa linguagem pode contribuir para a velocidade e concisão do texto, e que o leitor acabe se compenetrando ainda mais na leitura.
JOC – Podemos dizer que há nesse livro um pouco de motivos pessoais, motivos esses que você tenha derramado nas folhas?
F.Mello: Não, e não posso negar ou afirmar que haja realmente casos pessoais nas tramas, seria entregar-me de maneira demasiada, e não o quero, mas há momentos em que meu eu aparece, apenas ele, como é o caso do cara que odeia leite, aquele sou eu nu... totalmente nu, mas o restante é visão do mundo.
JOC – Resuma hoje, por sua visão de mundo o que é o relacionamento na sociedade? Isso é bem retratado em seu livro?
F.Mello: Resumir, o hoje (risos), eu queria resumir mesmo, juro que sim, acho que por isso escrevo tão pouco, ou digo tanto em tão poucas linhas, eu queria escrever mais sobre isso, estender o cotidiano amoroso pra o papel como se fosse uma fotografia, e resumir uma discussão de casal, uma transa na escada...(risos), ouvi muitos casos ao longo da escrita do AMAR..., muitos mesmo, de amigos, parentes e desconhecidos, em lugares diferentes (saio para sondar a alma alheia), há casos no AMAR..., que transferi e salguei no papel, e outros que eram inacreditáveis, de pessoas reais que choravam no banco do coletivo desabafando ao celular, etc, isso me emociona, por isso muito do AMAR..., vem com gosto de fel e mel, ou só fel..., definir a sociedade, o relacionamento humano, terei de fazer isso em mais uma centena de livro, esse tema é uma vida, uma cama, um tempo que não tenho.
JOC – Resuma o que significa a literatura (para você), e outras formas de arte em sua vida?
F.Mello: É sangue, é tudo, vejo-a como a personificação da alma humana, quantas pessoas, quantas guerras, amores, mortes e nascimentos estão juntos numa prateleira de biblioteca, nossa... milhares, milhares de pensamentos somados num corredor, lá de graça esperando que alguém adentre esse enigma, esse Ideal, possua essa esfinge. Amo música e as artes plásticas e as utilizo no meu criar, na minha verve, acredito que em meu trabalho literário há, sem sombra de dúvida, a lente, a tinta e a nota de tudo que é arte (não nego ser pretensão minha).
JOC – E quais os projetos para o futuro?
F.Mello: Para o futuro, tenho um livro que escrevo em co-autoria com o Pafundi, que fez o prefacio do AMAR..., um livro que seguirá a linha do mesmo Amar..., na visão de dois escritores, acabar e publicar minha tese, sobre Jorge de Lima e Agostinho Neto, a África no Brasil e o Brasil na África, tenho um livro sobre projetos educacionais em mente, e se der certo iniciar o MENINO SEM FACE (Romance), que estou com ele na mente tem anos...
JOC – Vemos diariamente o descaso do governo com nossa educação, você como professor acha que a cultura pode ser inserida como uma forte arma contra a marginalidade gerada pela falta de educação qualificada na rede publica?
F.Mello: A falta de Cultura é um dos motivos de sermos ainda, ainda, um país emergente, continuamos terceiro mundo, e terceirizando para o mundo, por sermos um país de não leitores, e de leitores ignorantes, no sentido de ler pouco e mal, basta andar pela cidade, coletivo, bares... que verá claramente, as aptidões literárias são fúteis e inúteis, o que é uma pena, a educação deve ser vista como parte principal de tudo, olhe os países mais ricos, olhe as escolas públicas, olhe as universidades, o brasileiro copia demais esses países, menos o que é importante, o que de fato pode ser copiado, mas prefere ser apenas ponta de sombra, de tudo..., talvez por preguiça ou mero descaso de todos.
JOC – E para finalizar, deixe uma dica para os jovens que sonham serem escritores um dia?
F.Mello: Hoje em dia qualquer um é poeta, romancista, contista e sei lá mais o que, basta escrever um verso, por pior que seja, e já se nomear, eu estou nesse mundo, que é maravilhoso, tem sei lá, uns 15 anos, e fico triste por ver que o número cresce e a qualidade cai, a única dica que deixo para quem quer realmente escrever é ler, ler, ler e ler... ler muito, reler e rever tudo, inclusive o que escreve, não ter medo de NÃO, não se contentar com um NOSSA QUE LINDO, e sempre pensar no escrever como órgão educacional, onde pessoas tirarão algo de proveitoso.
Agradeço ao professor Flavio Mello por ter cedido essa reportagem ao jornal, muito obrigado, e fica ai a dica de um bom livro o Amar... só se for armado de Flavio Mello.
1- Hildebrando Pafundi: É escritor, jornalista, contista e cronista. Membro da Academia de Letras da Grande São Paulo, da União Brasileira de Escritores (UBE-SP) e outras entidades. Tem quatro livros publicados. Contatos com o autor e colunista pelo e-mail hpafundi@ig.com.br.
2 comentários:
Allan, você é parte de minha vaidade, pois ver seu avanço me mostra o espelho do meu trabalho e dedicação para com os meus alunos, sabe que sou suspeito de qualquer comentário sobre o que faz, escreve e pensa... continue esse menino/homem que sou tão fã!
Sua nota é 10,0 como semrpe.
Flávio Mello
Ps.: pense em algo para ilustrar seu blog.
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